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Diego Muniz Braga-

A Realidade do Ensino Superior



A crescente busca pela educação, tem se tornado cada vez mais voraz, o número de universidades nunca foi tão grande e correlacionada com a demanda de estudantes, cada vez mais atraídos pelo sonho do canudo. Conforme o pronunciamento da presidente Dilma “Só não estuda que não quer”, de fato é verdade, e conforme dito, realmente hoje tem inúmeros meios de ingressar nas faculdades, seja através do PROUNI, SISU, FIES, bolsas convênios, bolsa para estudantes egressos de escolas públicas, entre inúmeros outros meios para iniciar o curso, com bolsas 100%, ou com qualquer outro desconto ou até aquelas que só serão pagar pós-formado, como o caso do FIES.

É também necessário destacar as novas modalidades de ensino, pois não apenas o método presencial está em uso, o Ensino a Distancia – EAD vem se tornando cada vez mais popular, por tornar possível o acesso de quem tem seu tempo corriqueiro ou também pelo baixo custo comparado ao valor do mesmo curso presencial, destaco também o modelo de formação “tecnólogo”, que especializa o aluno em determinada área, vantajoso por concluir o curso em menos tempo, que varia algo entre 2 a 3 anos, dependendo do curso e IES.

Sempre foi comentado que não faltam empregos e sim mão de obra qualificada, e parece que com essa nova geração acadêmica este problema não será tão grande como ocorre em nossos dias, porém nem tudo funciona como deveria, a realidade é completamente diferente.

Escrevo este artigo, por ter sido incentivado após ver alunos revoltados com  suas faculdades, após sair o resultado da avaliação do MEC.

Como realmente esta o ensino superior no Brasil?

Não é justo, começarmos esta análise pegando simplesmente como parâmetro de medição os acadêmicos, há tempos tem se visto o problema quando ainda são alunos do ensino médio. Como a maioria dos Estados da Federação, apresentam um índice insatisfatório no IDEB, o aluno não é levado a desenvolver pensamentos cognitivos com matérias simples, como português e matemática, levando este déficit para a academia, que por sua vez, não se preocupa em fazer um nivelamento, um aperfeiçoamento dos calouros para iniciação das atividades acadêmicas.

É notório também, o alto índice de evasão de alunos nos primeiros períodos, por diversos motivos, como escolha equivocada do curso ou também não adaptação com a carga exigida pela grade acadêmica. Qual a solução? Tentar diminuir ao máximo a evasão, tornando quase um método de aprovação automática. Não há vantagem alguma para os diversos grupos educacionais que tem em nosso país, alunos desistindo do curso superior, se isto ocorrer não dará lucros, e como todas as entidades com fins lucrativos, elas sobrevivem de lucro.

Este é o cenário, alunos despreparados, quando chegam na faculdade, são em maioria, só se importam com o diploma, mesmo que este não venha com a qualificação que deveria vir. Isto explica o alto índice de reprovado nos exames de suficiência da OAB e do CFC, deveria existir em todas as profissões?

Trago vocês a pensarem como alguém passa quatro ou cinco anos estudando e depois de formado a mesma faculdade oferece um curso para realização da prova de suficiência? Os quatro ou cinco anos não deveriam ser suficiente?

Nem adentro na total falta de fiscalização por parte do MEC, por não se preocupar com as futilidades que existem nas grades curriculares, por não padronizar disciplinas, ementas, carga horária, fazendo alunos refém de determinada situação, quando querem transferência e a outra instituição não aceita as matérias pelo simples fato do nome ser diferente, pois não existe um parâmetro de mensuração.

De fato não são 100% das faculdades que tem esses problemas, existem aquelas que mantêm um elevadíssimo padrão de ensino, com rigor, compromisso e apego pelo real sentido da educação superior, e através destas é que se difere o padrão do que deveria ser comum em todos os campus.

É muito fácil também culpar apenas as direções das IES pela metodologia de ensino aplicada, quando do outro lado tem o aluno, aonde se encontra o aluno?  Muitos só fazem o que se mandam e ficam reféns de apostilas e o que o catedrático expõe no quadro. A acadêmica deve, ou deveria ser, um local de análise e discussão da ciência, aonde o aluno tem todo um campo de pesquisa, ainda mais dinâmico com o uso da internet, que serve como meio de pesquisa em qualquer idioma e qualquer disciplina questionável. Quantas vezes professores se equivocam em certo ponto da matéria explicada e não tem um aluno que discorda, pois considera que o conteúdo passado é verdade irrefutável, e nem o trabalho de fazer uma pesquisa, por questão simples, respeito a lei do menor esforço, quem não é cobrado não vê razão para correr atrás, não reconhecem que estão sendo enganados, ou na verdade se enganando, pois o maior interessado é o acadêmico, pois o conhecimento é a fonte do saber e nem todos querem saber.

Logo a questão do mercado esta carente de mão de obra qualificada ainda existe e poderá persistir por muito tempo, enquanto houver entidades que fingem que ensinam e acadêmicos que fingem que estudam.

Diego Muniz Braga
Militar




 
 
 
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