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Um
caleidoscópio administrativo
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William
Pinto Machado
É uma boa oportunidade poder escrever, sobre Administração
nesse espaço do jornal, do sindicato. Deixei aflorar os vários
matizes que são a essência de nossa profissão. A Ciência
da Administração chegou até nós, principalmente,
pela importação de cultura dos países centrais, pioneiros
da industrialização. Podemos creditar tudo à 1ª
revolução industrial na
Europa e a 2ª revolução nos EUA. É inegável
que para nós isso também teve seu foco na era Vargas. A
Administração pode ser melhor entendida em aspectos de sua
história, quer do ponto de vista da sua trajetória oficial
quer da participação de contingente de anônimos, mas
também, autores no trabalho árduo e consciente do processo
compartilhado da construção
e consolidação de um Estado Nacionalista, desenvolvimentista
e socialmente justo.
Quando Getúlio
chega ao poder, a partir de 1930, começa a desenvolver um projeto
de âmbito nacional. A intenção era criar um Estado
Nacional, moderno e antenado com os grandes
centros do capitalismo. Para isso, ele elegeu alguns pontos fundamentais,
tanto nos aspectos estratégicos quanto no tático e no operacional.
Hoje, podemos ver tudo isso melhor do
ponto de vista da história. O Nacionalismo era moda na Europa.
Vargas assimila e manda fazer,
concentrando aqui no Rio – capital, o que é hoje a Esplanada dos
Ministérios e a Praça dos Três Poderes, em Brasília.
Agregou, no centro da cidade, em dois ou três eixos que cobrem da
Avenida Beira Mar a Praça Mauá, pelas vias Pres. Antônio
Carlos, 1º de Março e Avenida Presidente Vargas, até
a Central do Brasil, inúmeros prédios de governo que uniam
os três poderes federais, ministérios e o Distrito Federal.
Sólidos edifícios públicos, expressões arquitetônicas
do momento, cópia do clímax do aparelho de Estado europeu,
que tinham na Itália e na Alemanha o modelo de Estado Nacionalista.
Por outro lado, o projeto utilizou uma
abordagem, para além das manifestações de ordem arquitetônicas
citadas e, em paralelo
valorizou as transformações de infra - estrutura burocrática
como as rotinas administrativas, com o advento de um sem número
de medidas políticosociais estruturantes. A carteira de
trabalho, sindicatos, férias, concursos públicos, educação
pública assegurada e outros.
O Estado
desenvolvimentista, industrializado, e por que não dizer capitalista,
não absorveu as propostas, iniciadas no período Vargas,
da institucionalização de uma burocracia profissional, com
a criação e progressão de carreiras e, um processo
sistemático de abertura de concursos
públicos regulares, principalmente, para a definição
e atualização de especialistas e de um corpo técnico
da alta administração.
A ciência
administrativa no país, ainda, não conseguiu ser protagonista
do seu destino. É sabido e reconhecido, por todos, de forma tácita,
que somos uma das categorias mais invadidas por outras no espaço
de trabalho e nas competências específicas. O nosso papel
tem sido acessório e caudatário no mercado de trabalho.
Todavia, essa não é uma questão de difícil
entendimento, nem sem solução. Requer uma atitude positiva
de todos visando criar
condições favoráveis.
Através
da motivação e da participação da categoria
reverteremos esse quadro de desigualdade que atinge de forma injusta e
absurda a nossa profissão.
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